quarta-feira, 13 de junho de 2012

Análise crítica do seriado "Awake"

Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, como requisito parcial à obtenção do grau do 2º GQ da disciplina Linguagens Audiovisuais sob orientação da professora Aline Grego.


Introdução

A semiótica é basicamente a ciência que estuda todos os fenômenos culturais, como se fossem sistemas significação, ou seja, que têm um significado. Há nela, uma série de ramificações como a semiótica estruturalista, que fala dos signos verbais; a semiótica Russa, que fala da linguagem, literatura e de outros fenômenos culturais; entre outras.

O instrumento que estudamos foi a série americana “Awake”, que significa “acordado”. A história, na verdade, contém duas versões. Um cidadão comum perde seus maiores desejos, seu filho e sua esposa, num acidente e, depois disso, vive duas vidas. Um dia ele acorda com a mulher e no outro com o filho.

O que queremos mostrar é a dúvida que fica ao telespectador do que é real e do que não é real. Se a vida que ele tem com o filho é a verdadeira, ou se quando ele está com a esposa, significa um sonho. Tudo isso fica a critério de descoberta e “achismo” do espectador.

Como o sema é a unidade mínima da semântica, cuja função é a de diferenciar significações, definimos a semiótica discursiva como comparação à série analisada. A visão de Algirdas Greimas é estruturalista da linguagem. Para ele a semiótica é a “teoria da significação”, que somente se torna operacional quando situa a análise em dois níveis. Ex.: masculino/feminino – plural/singular. No caso da série, vida/não vida – real/não real.


Dois sonhos, uma realidade.

Awake conta a história de Michael Britten, um detetive da polícia de Los Angeles que sofre um acidente de carro com a família, e a partir de então, se vê ligado a duas realidades, uma delas em que apenas sua mulher, Hannah, sobreviveu e a outra seu filho Rex. Essas duas vidas se alternam, a cada vez que Michael dorme, e assim, ele vive seus dias dividido entre a felicidade de ter sua família, pelo menos em parte junto a ele, e a dúvida de estar vivendo um sonho.

Cada realidade é identificada pelo espectador através do tom da fotografia utilizado em cena. O diretor utiliza as cores preferidas de Rex, o verde, e Hannah, o vermelho, para dar a textura das imagens e conduzir quem as acompanha, durante as trocas contínuas de realidade que Michael faz. Além disso, ele usa pulseiras, vermelha e verde, para distinguir em que realidade ele está acordando.

Michael tem que desvendar crimes nas duas realidades, que de alguma forma estão sempre conectados, se completando e só solucionando um, é possível encontrar a resposta para o outro. Para essa tarefa, ele conta com seus parceiros, Bird na realidade verde e Vega, na vermelha e divide seus medos e dúvidas com seus terapeutas, Dr. Evans e Dr. Lee, diferentes em cada realidade, os únicos a quem Michael confia em contar o que acontece e que a todo momento induzem Michael a acreditar que a realidade oposta, é apenas uma criação.

Em pequenas doses, o expectador ganha mais uma pista do mistério, e aos poucos descobre que a situação de Michael está ligada a algo muito maior, e que até seu acidente esconde um mistério envolvendo as pessoas em que mais ele confia.

Ficha técnica:

Diretor – Jeffrey Reiner
Atores: Jason Isaacs - Michael Britten; Laura Allen - Hannah Britten; Steve Harris - Detective Isaiah 'Bird' Freeman; Dylan Minnette - Rex Britten; BD Wong - Dr. John Lee.


Análise crítica

De acordo com os estudos propostos por Greimas, um filme tem que adquirir significado e sentido ao leitor. Para isso, é necessária uma junção de partículas encontradas no filme, seja através de um discurso, um zoom, o silêncio ou elementos fotográficos presentes na cena.

Analisando o seriado Awake, percebemos fortemente a presença da semiótica discursiva, em que, o enunciador utiliza a junção dos elementos da cena para dar significado ao discurso, fazendo com que, o espectador “participe” da trama. O que está visível e invisível é capaz de ser captado, produzindo sentido.

Tomemos como exemplo, a primeira cena do episódio piloto, em que, o acidente de carro aciona fortemente o barulho de estilhaços e a batida do carro na ribanceira. Você não precisa ouvir os gritos dos personagens que sofreram o acidente e tão pouco observar a cena de longe para entender que o carro está capotando em uma ribanceira.

Os sons produzidos em Awake chama-se banda sonora, que percorre todos os episódios, sem trilha sonora. Apenas o som das vozes (som representativo), os ruídos, sons naturais (sons figurativos), estão presentes, referindo-se aos objetos do “mundo real”.

Outra cena a ser analisada logo no início da série é o momento no qual o detetive Michael Britten está conversando com seus terapeutas. Não precisamos de nenhuma placa mostrando qual profissão eles exercem, pois o ambiente e o modo como os personagens conversam já pode ser subentendido. O mesmo acontece para o próprio personagem principal, através dos ícones presentes nele: roupa social, postura ereta, distintivo da polícia; o que nos leva a crer que ele é um policial.

Na enunciação percebe-se o olhar que institui e organiza o que se encena... O ponto de vista do qual se observam as coisas, é dizer, o eixo em torno do qual giram as imagens e sons e que, conjuntamente, dão as coordenadas para que o espectador também se situe na narrativa”. (CASETTI, Francesco)

No decorrer dos episódios, o enunciador apresenta grande influência no seu espectador, tentando conquistá-lo. Ele tenta injetar, de forma indireta, o seu ponto de vista, para fazer o espectador entender ou se perder, como acontece no seriado. A principal enunciação do seriado é a dúvida árdua para saber quem de fato está vivo, se é a sua mulher ou seu filho.

Neste caso, a contrariedade está presente, já que, se o filho estiver vivo, a relação com sua mulher não passa de um sonho; se sua mulher estiver viva, sua proximidade com o filho é irreal, ou seja, um pressupõe ao outro. Essa relação de realidade e fantasia é bem demarcada quando o diretor põe a cor azulada quando há cenas com o garoto e uma cor bem alaranjada transmitindo calor, que é a da sua mulher. A pulseira em que ele utiliza em cada dia é marca registrada do personagem para se situar com quem ele “passará” o dia.

O grande trunfo do diretor é conduzir o espectador à constante dúvida da real existência daquelas realidades paralelas ou da criação da mente de um homem que sofreu um grande trauma.


Referências bibliográficas

Awake (TV Series 2012) – IMDb
Disponível em: . Acesso em 30/05/2012

Créditos à Adriana Ribeiro, Carlos Prado e Vítor Albuquerque

Nenhum comentário:

Postar um comentário